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24/09/2008

FUMEC e Felício Rocho desenvolvem Centro de Memória da instituição

A constituição de um Centro de Memória do hospital Felício Rocho será o principal resultado de parceria firmada entre a Universidade FUMEC e a Fundação Felício Rocho, instituição mantenedora do hospital sediado em Belo Horizonte. O projeto é desenvolvido por meio de convênio assinado entre FUMEC, por meio do Centro de Estudos, Pesquisa e Extensão em Turismo e Hotelaria (CEPETURH) e o hospital em julho deste ano. A formação do Centro de Memória reflete a preocupação crescente com a preservação da memória por parte das organizações.

Sob a coordenação da coordenadora do CEPETURH, professora e historiadora Rita Lages, o trabalho reunirá relatos de personagens importantes da trajetória institucional sobre acontecimentos relativos à memória da fundação e do hospital. “Não seria o momento de dar voz às pessoas que continuam a fazer parte desta história, vozes que ecoariam no passado e trariam memórias de acontecimentos de pessoas que já se foram, fundamentais para a existência do hospital hoje existente?”, questiona a professora. 

O trabalho inclui pesquisa bibliográfica, análise documental na Hemeroteca do Estado de Minas; Arquivo de Minas Gerais, arquivo do Hospital Felício Rocho, dentre outros. A pesquisa documental envolve todo o material escrito, assim como os objetos significativos que fazem parte da memória do hospital e que virão a constituir parte essencial do acervo a ser exposto no Centro de Memória. Além da constituição do Centro de Memória para valorização da história do hospital, serão realizadas exposições periódicas sobre a instituição.

Desde agosto a aluna do curso de Turismo Renata Pereira Martins vem levantando os dados referentes à história do hospital. A também estudante de Turismo, Cláudia Pereira Vieira Cuiabano, foi incorporada à equipe em setembro. Haverá  a participação de aluno do curso de Arquitetura, a ser definido.

Felice Rosso

A fundação Felice Rosso foi criada em 1937 e mantém o hospital em funcionamento desde 1952. A entidade sem fins lucrativos foi criada pelo imigrante Felice Nicola Rosso, natural de Bataglia, província de Salerno (Itália), que chegou ao Brasil há cerca de 120 anos, em 1880. Rosso trabalhou como mascate, chofer de praça no Rio de Janeiro e, ao mudar-se para Juiz de Fora, foi negociante de ferragens, estabelecendo-se posteriormente como pequeno empresário do serviço funerário. Nesse período, houve a mudança do nome original para a versão abrasileirada Felício Rocho.

Felício Rocho veio para Belo Horizonte a convite do então prefeito da capital de Bernardo Monteiro, para explorar o serviço funerário da cidade, onde passou a investir também no ramo hoteleiro, tornando-se proprietário dos hotéis Avenida e Internacional. Em 1921, conheceu o advogado capixaba Américo Gasparini, personagem central para a existência da Fundação e do Hospital.

Aos 70 anos, sem herdeiros, foi convencido por Gasparini, seu amigo, advogado e testamenteiro, a construir um hospital para atendimento a pessoas de baixa renda. Em 24 de março de 1937, foi assinada escritura pública que instituía a Fundação Felice Rosso e, em 9 de maio de 1937, depositada a pedra fundamental do hospital, cujo projeto da planta teve como responsável o arquiteto Rafaello Berti.

Com a morte de Felício Rocho, um mês antes da aprovação da planta do hospital, Gasparini tomou a frente dos trabalhos da Fundação e da construção do prédio. Após a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, a construção do hospital é paralisada e a edificação passa para as mãos do Exército, sendo retomada após o término da guerra. O hospital foi finalmente inaugurado em 21 de junho de 1952, sob o comando de Gasparini.

 

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