02/02/2015

Exposição: INCORPORAR

De 02 de fevereiro a 10 de abril na biblioteca FCH.

No período de 02 de fevereiro a 10 de abril, na mostra inaugural do ano letivo da Universidade FUMEC, a Biblioteca da FCH apresenta a exposição INCORPORAR, do artista plástico Alexandre Rato.

Sob a curadoria do Prof. Dr. Sérgio Laia, INCORPORAR é uma exposição que reúne cerca de 20 obras, dentre pinturas e desenhos com técnicas variadas tais como óleo, acrílica, spray, marcadores, nanquim, aquarela, lápis, colagens e outras. Os suportes também são distintos e se alternam entre madeira, telas, papéis de parede, páginas de livros antigos ou intervenção direta no espaço expositivo, sendo que suas dimensões se apresentam entre pequenos, médios e grandes formatos.

Para o Prof. Sérgio Laia, “a profusão que o trabalho de Alexandre Rato incorpora – no seu uso intenso das cores, na diversidade de materiais, técnicas, suportes e formatos – capta o olhar e guarda a espessura própria dos enigmas: Onde começa um rosto e onde ele se apaga? Quando a forma é humana e quando ela se transmuta em animal, paisagem ou uma parte de uma casa, uma janela, um muro? Em que pontos o vivo se decompõe ou os corpos se ossificam ou se mascaram? O que é texto e o que é traço? Onde termina a parede e começam os quadros? Como o que pode ser visto na rua, nos muros, na cidade também é retrato, quadro, silks de camiseta, tatuagem, imagem onírica? Se, frente a essa densidade enigmática, o olhar fizer apelo a um guia, a alguma regulação, eu me permitiria oferecer-lhe três referências:

1) Foucault, em um texto dedicado a um célebre e enigmático quadro de Magritte, nos ensina que uma das grandezas desse pintor é o modo como, em seus quadros, a semelhança é dissociada da similitude e esta última corrói a primeira. Afinal, se a semelhança pressupõe um “elemento original que ordena e hierarquiza”, o similar dá lugar a “séries que não têm nem começo nem fim, que é possível percorrer num sentido ou em outro, que não obedecem a nenhuma hierarquia, mas se propagam de pequenas diferenças em pequenas diferenças”, Não é a essa fluidez inquietante e diferencial que nos lançam os trabalhos de Alexandre Rato?
2) Lígia Clark, célebre artista brasileira, inova a pintura e a escultura ao retirar do quadro a moldura. Primeiro (e retomo aqui o título da exposição de Alexandre Rato) ela incorporar a moldura ao quadro e, mais adiante, os transmuta em casulos, de onde saíram bichos e fitas com torções capazes de implodir completamente a separação tão cara ao humano (e mesmo à psicologia) interior-exterior.
3) Certa vez, se não me engano em uma entrevista, o saudoso poeta, crítico e tradutor brasileiro Décio Pignatari, foi provocado com a insistente pergunta que se faz de por que a arte contemporânea seria de difícil assimilação por um público mais amplo, como se ela fosse apenas para os “iniciados”. O problema, respondeu Décio Pignatari, não é da arte contemporânea ou de seus artistas, mas da permanência, entre nós, do que se entende como “arte”. Afinal, continuava ele, quando qualquer um vai escolher uma estampa para um vestido ou a cor de um carro, em geral não se depara com uma impotência quanto à apreciação estética e, acrescentaria, em geral, nesses casos, não se acha bonito um carro estampado com a Monalisa de Da Vinci, nem se prefere um vestido com a reprodução exata de uma pintura holandesa do século XVII. Em outros termos, a arte contemporânea está mais próxima da vida, dos nossos corpos e do nosso dia-a-dia. É o que também se dá a ver no que Alexandre Rato generosamente incorporou à Biblioteca da FCH, neste início de ano em que vamos comemorar os 50 anos da Universidade FUMEC.”

Segundo Alexandre Rato, artista visual formado pela Escola Guignard e cujas obras foram expostas em diversas mostras e espaços públicos em Minas Gerais e em São Paulo, “as imagens apresentam-se como um campo de investigação do que o ser humano é e o que ele poderia ser, mas também apresenta situações fantásticas que o sujeito só pode contemplar através de sonho ou devaneio”. Assim, o artista desenvolve suas narrativas integrando figuras que habitam o consciente, misturadas às imagens que permeiam o inconsciente.

INCORPORAR é uma palavra que sintetiza as temáticas dessa mostra, pois ao fragmentar a palavra, várias outras surgem como possibilidade de leitura: IN (dentro) COR (luz, ilusão, sensação) CORPO (objeto, matéria, carne, história, mudança, tempo) ORAR (absurdo, mágico, fantasmagórico, espiritual, intuição, transcendência) AR (elemento essencial, arte de rua, sigla para Alexandre Rato). A mescla entre o espaço onde se realiza a mostra (uma biblioteca universitária) e a exposição – desde a concepção do título e seleção das peças até a intervenção direta realizada no local – reitera o caráter integrativo e orgânico-corpóreo presente em todas as obras de Alexandre Rato.

Serviço
Exposição INCORPORAR
Artista: Alexandre Rato
Período: 02 de fevereiro a 10 de abril de 2015
Curadoria: Prof. Dr. Sérgio Laia
Projeto Mais Arte na Biblioteca
Local: Biblioteca da FCH | Universidade FUMEC – Rua Cobre, n.º 200 – Cruzeiro
Horário: 07h30min até 22h30min (segunda a sexta-feira.) | 08h às 14h (sábados)
Apoio: Gráfica O Lutador; DCE Construção Coletiva
Contatos: (31) 3228-3033 | biblioteca.fch@fumec.br; (31) 8834-4647 | alexandre.ar@gmail.com
Entrada franca.



Publicado em , FCH



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